ANDO LENDO, LEIO PARADO.
Hoje o último dia do ano. Podíamos ficar juntos, Virgínia. Quer mesmo ir?
É preciso, meu amor. A despedida não pode se arrastar, ficaria dolorida demais.
E vendo que ele se dispunha a acompanhá-la pela vereda das árvores, deteve-o.
Fique exatamente aqui onde está. No meio do caminho eu me voltarei para vê-lo assim, debaixo deste resto de sol. Quero levar isto comigo, entende? E assim saberei que ainda é dia.
Trocaram um leve beijo. Depois ela prosseguiu sozinha pelo estreito caminho de sombra.
Quando julgou ter atingido a metade, voltou-se. Lá estava Conrado na mesma posição em que eu deixara, de pé na clareira. Mas os frouxos raios de sol que o iluminavam já tinham desaparecido. "Apagou-se", pensou ela acenado-lhe pela última vez. Ainda ouviu o grito do pássaro rompendo a quietude, porém não o achou mais parecido com a risada de Otávia. Era apenas um som anônimo, perdido na tarde.


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